Maria Telma de Melo Lima
Titular da Cadeira nº 16 da
Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes

 

Entrei o ano sempre a sonhar,

Com pedidos impossíveis e outros a desejar,

Janeiro de festas, mas o sol a castigar.

Terra seca no meu sertão...

Mas um dia vi no horizonte a brilhar,

Alguma esperança meio tímida, entrar no coração.

Pingos fartos caiam, dançando na pista quente, veio a derramar,

Chuva na cabeceira do Araras?

Águas dançam num rítmo quente de forrozão.

Alentam a vida dos sertanejos valente e sofridos

Levam com sabedoria a esperança no coração.

Momentos de fartura, tempos de abundância.

Vem chegando o Zé, Raimundo e Severino,

Montados a contento no seu azulão.

É hoje? Abril chegou, molhou a parede ,

Agora é só sangrar...

E sangrou...

A lâmina tão esperada naquela madrugada... E derramou...

Encontrou o cenário mais encantador que se via,

José, João e Maria

Pulavam com alegria no sangradouro.

E nós nos celulares via a narrativa dos nativos,

Imagens explodiam, cada uma a mais encantadora,

Araras sangrou! Araras sangrou!

O grito de glória, o tempo mudou...

E encontraram com a esperança. Nós do lado de cá,

Orava para que as águas levassem para bem longe, do nosso Ceará,

As mazelas de um vírus, nos fazendo prisioneiros dentro do nosso lar.

Açoita sem piedade, nós, filhos de Deus.

E lá, as crianças pulam nos poços já formados.

Benza Deus, este é meu lugar!

Da parede deste gigante, sinto a presença de Deus.

Obrigada, meu Senhor!

Mas protege os filhos Seus!

Telma Lima      26.04.2020

 

Fonte: http://academiaipuense.com.br/

Back To Top